Uma noite fria
O vinho é doce, mas o rótulo é bonito sob a luz das velas. Quatro velas de cor diferente iluminavam a cozinha, o toque dos pés mesmo de meias no piso era gelado, e os cheiros de ervas e gostos diferentes na boca estavam nos deixando cada vez mais felizes. Passei a capa do livro no rosto dela, a edição espanhola de D. Quixote de encadernação de veludo bordô. Ela retribuiu passando um pires gelado de inox debaixo de meu queixo. Puxei-a para mais perto de mim laçando sua nuca com uma gravata de seda de cor branca, amarela e cinza, os botões da minha camisa já estavam abertos, e cada casinha da camisa vermelha cabia um desejo. Ela pediu um incenso e deixou derramar vinho doce no prato das frutas. Tentei abrir a janela de seu humor e acender seu sorriso. Ela disse para eu não tentar, pois isso só ela poderia me dar. Joguei calda de vinho do porto com frutas sobre o queijo Brie bem quente e ele estourou ao toque do garfo, parecendo uma gema de ovo quando se arrebenta. A fumaça das velas e do incenso deixava a cozinha mais aconchegante naquele frio. Ela me pediu uma blusa, fui buscar e me senti sozinho naquele corredor longo e gelado.
Júlio Paulo Calvo Marcondes
São Paulo
Sábado, 14 de fevereiro de 2009
Uma pequena homenagem a um grande homem e professor.
FURICO LI FURICO LA
13 horas atrás

dá até pra escutar a voz dele te lendo o texto, Ba...